O momento do parto é um ritual de transformação profundo. Para as mães, para as crianças e para os pais. Tudo se transforma. Não estou a falar do facto de outros adultos se sentirem à vontade para nos chamarem de “pai” ou “mãe”. “Pai pode entrar.” Fica estranho mas acontece com frequência.
A alternativa que recomendo é passarmos a andar com um crachá tipo “Agente de viagens” com o nosso nome. Mas este é o primeiro sinal de que a nossa identidade mudou. E depois disto, tentar manter as coisas como eram antes é como tentar impedir que um gelado não derreta no Verão.
Refiro-me ao facto de passarem a existir novos papéis para todos. Desta vez quero colocar o foco no pai.
Depois de assistir ao parto da minha filha reforcei a minha convicção sobre as mulheres. Elas são de outra divisão. Jogam na Liga dos Campeões. E nós homens disputamos o Campeonato Distrital, em terreno pelado, pitons de borracha e calções de licra. Exagero, naturalmente. Os calções são térmicos.
Só de trazer à memória a nota musical de uma contracção faz-me acreditar que, afinal, ter febre não é assim tão mau. Eu sou capaz de aguentar. Eu consigo.
Mulher em jogo
Depois desse momento (o parto) é muito frequente lançarmos a nossa atenção para a criança e para a mãe, deixando fora de jogo a mulher. Mas ela continua a existir e ainda mais bonita que antes. A maternidade amadurece a beleza feminina. E isso vê-se todos os dias. Tínhamos nós olhos para ver. Mas a agora mãe não deixou de ser mulher e precisa de ser acarinhada, amada e convidada a voltar ao seu dia-a-dia normal de forma progressiva e prazerosa.
Encontrar momentos para isso é uma missão amorosa que o homem deve abraçar. Faça o seu papel de pai e de homem. Participe na rotina da criança com carinho. Tome o seu lugar em tudo. Mudar a fralda é uma aventura e o seu filho tem o direito de ter uma fralda posta por si ao contrário ou em Zig-Zag. Já para não falar na roupa que podemos escolher para eles. Dando asas ao Project Runway lá em casa, a mistura de padrões vai fazer sucesso. E um dia poderá partilhar com o seu filho o “camisola ao contrário style” que desenvolveu. Arrisque. A criança adorará.
Dê-lhe descanso
Liberte a mãe para que ela possa descansar o suficiente física, mental e emocionalmente do papel de mãe. A criança agradece porque todos ganham com isso. A ideia de que “estou cansado do trabalho” até podia ser uma boa desculpa. Mas eu sei que não é. Experimente estar 24 horas com um recém-nascido e vai ver o que é bom para a tosse. Vai precisar do Stodal da paciência. Eles são indestrutíveis na sua capacidade de requerer atenção. São os “spider man” do alerta máximo. Sempre a lançar a teia da requisição maternal/paternal. Abençoados. É assim que constroem o vínculo.
Mãos à obra. A Liga do Campeões espera por nós.
E boas viagens.

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