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8 mitos sobre a Terapia da Fala – Por Dra. Maria Fronteira

A Terapia da Fala é ainda uma profissão pouco conhecida pela população em geral, originando mitos e ideias sobre as suas áreas e formas de actuação.

Na minha prática diária, deparo-me muitas vezes com afirmações, que nem sempre estão correctas e que, em alguns casos, podem até comprometer o desenvolvimento das crianças.

Neste sentido, o objectivo deste artigo é desmistificar algumas das afirmações frequentemente ouvidas, tornando-se extremamente importante clarificar as pessoas sobre esta área.

1 – “A terapia da fala é só para as crianças que não falam bem.”

MITO

A terapia da fala não se limita à fala propriamente dita, como a designação da profissão indica. O terapeuta da fala pode apoiar crianças, jovens, adultos e idosos, nas mais variadas áreas de intervenção. Destacam-se as áreas da linguagem, comunicação verbal e não-verbal, leitura e escrita, deglutição, motricidade, sensibilidade oro-facial e voz.

2 – “Não precisa de Terapia da Fala, isso com a idade passa e fica a falar bem.”

MITO

Em alguns casos, a criança pode conseguir ultrapassar a dificuldade com a continuidade do seu desenvolvimento. No entanto, como não é algo observável em todos os casos, esperar que tal aconteça poderá agravar o problema e aumentar o atraso no desenvolvimento da área comprometida.

3 – “O nascimento dos dentes atrapalha a fala.”

MITO

A falta/nascimento dos dentes requer uma adaptação da língua, mas esse processo é imperceptível à criança. É normal que as crianças sintam dores e fiquem irritadas com o aparecimento dos primeiros dentes, mas isso não significa que afecte o desenvolvimento da linguagem.

4 – “Antes dos 3 anos, não vale a pena fazer terapia da fala.”

MITO

A intervenção do terapeuta da fala não se restringe à idade, sendo que esta não é o factor determinante para procurar ou não o parecer de um Terapeuta da Fala, mas sim as dificuldades que a criança pode apresentar antes dos 3 anos.

O desenvolvimento da linguagem tem início na gestação, porque o cérebro humano está “pré-programado” para a linguagem.

Assim, ao observar e interagir com a criança, o Terapeuta da Fala pode verificar se o desenvolvimento da linguagem decorre normalmente ou não, evitando alterações maiores e mais complicadas no futuro.

Se algumas aquisições não estão presentes nos momentos esperados, deverá ser realizada a avaliação e possível intervenção do Terapeuta da Fala. Poderá não ser trabalhada imediatamente a fala propriamente dita, mas sim um conjunto de competências essenciais ao desenvolvimento da comunicação e da linguagem, com o objectivo de ajudar a criança a produzir e usar palavras futuramente.

5 – “O Pediatra diz que ainda é pequenino para fazer Terapia da Fala”

MITO

Não se é “muito pequenino ou demasiado crescido para fazer Terapia da Fala”, pois o Terapeuta da Fala tem uma abrangência de actuação da Neonatologia à Geriatria, ou seja, desde o dia em que nascemos até ao dia em que morremos.

Como tal, esperar que a criança cresça para fazer Terapia da Fala é um erro e poderá agravar as suas dificuldades, sendo que uma detecção atempada, apresenta resultados positivos mais rapidamente.

6 – “Ele tem tempo de aprender a falar correctamente até entrar na escola!”

MITO

A intervenção precoce é importante para colmatar, desde cedo, alguns problemas existentes. Além disso, iniciar a escolaridade com lacunas ao nível da articulação verbal e da linguagem torna muito mais difícil a aquisição da leitura e escrita, com prejuízos evidentes na aprendizagem.

7 – “A criança fala mal porque é preguiçosa!”

MITO

Por vezes, a criança é capaz de produzir bem um som mas nem sempre o faz, pois os sons podem ficar diferentes conforme a posição que assumem nas palavras. Existe uma faixa etária em que cada som deve estar adquirido e, ao ser ultrapassada, pode ser necessária uma ajuda para consolidar a aquisição dos sons e generalizá-la a todos os contextos do discurso da criança.

Estas dificuldades, quando não são trabalhadas na altura certa, podem interferir com a auto-estima da criança e influenciar os resultados escolares, pelo que, decerto as crianças não produzem incorrectamente as palavras por uma questão de preguiça!

8 – “A criança começou a gaguejar desde que apanhou um susto”

MITO

Todos nós já apanhámos sustos e não foi por isso que começámos a gaguejar.

A gaguez é um distúrbio neurofisiológico e genético (60% das pessoas com gaguez tem um familiar com gaguez) causado possivelmente por um mau funcionamento de algumas áreas cerebrais, responsáveis pela automatização da fala.

Não se “apanha” ou desenvolve gaguez por causa de um grande susto ou trauma psicológico.

Detectar e prevenir

Todas as respostas, têm um único princípio: A importância da detecção e intervenção precoce.

Quanto mais cedo se iniciar a intervenção, maior é o potencial de desenvolvimento da criança, maximizando-se os benefícios sociais desta e da sua família.

Portanto, prevenir e identificar desde cedo é o caminho certo para o sucesso da criança.

Em caso de dúvida, deverá sempre recorrer-se a uma Avaliação de um Terapeuta da Fala. Este é o profissional de saúde capacitado e responsável pela prevenção, avaliação, intervenção e estudo científico das perturbações da comunicação humana, assim como da deglutição.

Maria Fronteira

About Maria Fronteira

Terapeuta da Fala, é Pós-graduada em Motricidade Orofacial e com formação nas áreas de Linguagem, Leitura e Escrita e Perturbações da Fluência. Tem prática em contexto de clínica, colégios e domicílios. É dinamizadora de várias acções de sensibilização, palestras e workshops. Trabalha em Santarém e Lisboa. É uma apaixonada pelo que faz e por crianças. Contactos: tlm: 916121526 email: mariafronteira@hotmail.com

1 Comentário

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  • Na realidade existe aqui um ponto que está errado. É sim possível desenvolver gaguez por trauma psicológico.
    Eu tive após ter sido atacada por um cão. Posterior ao ataque as pessoas muito maduras ao meu redor acharam apropriado gozarem com a minha insegurança e medo de cães dizendo-me coisas como “vem ali um cão”, “olha ali um cão” e coisas do género. O trauma foi de tal forma grave que eu comecei a ter medo de falar, não tinha nenhum problema em termos físicos, falei muito bem até cerca dos meus 3/4 anos e depois disso tive gaguez.

    Essa gaguez era resultante de um trauma psicológico, sim. De tal forma que passou precisamente com apoio psicológico e nada mais. Aos 6 anos quando entrei na primária já não tinha qualquer indicio de ter tido gaguez e hoje em dia também não tenho qualquer problema.

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email: mariafronteira@hotmail.com