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Foto: Facebook de Carme Chacon

“Não sacrifiquem a maternidade pelo trabalho, ninguém vos agradecerá por isso”

Catalã de gema, Carme Chacón foi um símbolo da luta pela igualdade de género em Espanha. E a primeira mulher nomeada para o cargo de Ministra da Defesa no país vizinho. Uma cardiopatia congénita levou-a cedo demais a 9 de abril último, aos 46 anos.

Três dias antes, esta mulher de armas, que para além de ser uma política brilhante brilhou também advogada e professora universitária, havia feito um discurso marcante do outro lado do Atlântico, nos Estados Unidos. Sobre o papel das mulheres na política e que dá que pensar. Porque foi de tal forma abrangente que muitas outras mulheres se identificaram com ele. “Se quiserem ser mães, não sacrifiquem a vossa maternidade pelo trabalho. Ninguém vos agradecerá por isso. O mesmo para os homens. Desfrutem. Podem fazer-se, sem dúvida nenhuma, ambas as coisas”, disse perante a plateia interessada do Centro Cultural Espanhol de Cooperação Iberoamericana de Miami. Leia aqui na íntegra o texto.

Momento marcante

O momento mais marcante que Carme protagonizou e que mais deu que falar deu-se quando, aos 7 meses de gravidez, visitou as tropas espanholas no Afeganistão. Isto depois de passar 21 horas num avião da Força Aérea, que ficou de prevenção, não fosse o bebé querer nascer prematuro.

“Quero que esta viagem seja um símbolo de normalidade, um símbolo contra a discriminação que sofrem em Espanha muitas mulheres grávidas, especialmente no mundo labora”, justificou, na altura, à revista Yo Dona.

A fotografia do momento em que fazia a revista às tropas correu mundo. E fez mais pela igualdade de género do que muitos discursos juntos. Carme regressaria ao Afeganistão mais 17 vezes. “Muitos soldados pensavam que eu não podia fazer o mesmo que um homem e quis mostrar que nós, mulheres, grávidas ou não, podemos”, disse em dezembro de 2015, em entrevista ao La Vanguardia.

Não deu ouvidos aos médicos

Teimosa, ou pelo menos obstinada, fez ouvidos moucos aos médicos, que lhe recomendaram uma “vida tranquila” e sugeriram que não fosse mãe. Viveu cada dia como se fosse o último e realizou-se também na maternidade.

O seu exemplo inspirou muitas outras mulheres, que lhe seguiram o exemplo em Espanha e desempenharam, orgulhosamente, diversos cargos políticos enquanto estiveram grávidas. O tema tornou-se banal e deixou quase de ser notícia.

Nem o machismo, tão usual na política como fora dela, a derrotou. Sentiu-o na pele, mas soube dar a volta. Só não deu mesmo a volta ao tal problema de saúde que a vitimou. Mas o seu legado fica para sempre.

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Foto: Facebook de Carme Chacón

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