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Saúde

Gritar tem efeito devastador no cérebro das crianças

Nem sempre é fácil manter a calma perante uma birra, uma resposta torta ou insolente. Gritar é muitas vezes a resposta dos pais e educadores ao “mau” comportamento. Mas, de acordo com alguns estudos, educar gritando não traz qualquer benefício para as crianças. Bem pelo contrário.

Por detrás dos gritos está, a maior parte das vezes, uma sensação de impotência, de incapacidade para transmitir a mensagem desejada. Levantar a voz não dá mais razão a quem o faz. E significa uma coisa: perda de controlo.

Consequências

Se a maioria dos adultos não lidam bem com gritaria, agora imagine uma criança.

Segundo um novo estudo da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, os gritos, sobretudo quando emitidos regularmente, têm um efeito devastador no cérebro dos mais novos. E acarretam uma série de riscos para o seu desenvolvimento psicológico.

Em consequência de um ambiente familiar onde gritar faz parte do dia a dia, as crianças desenvolvem comportamentos agressivos ou defensivos.

O estudo referido foi realizado tendo por base mil famílias, com crianças entre um e dois anos. Os investigadores concluiram que quem convivia com pais que gritavam recorrentemente, como forma de “educar”, desenvolvia na adolescência, a partir de 13 e 14 anos, sintomas depressivos e problemas comportamentais.

A equipa de investigação chegou também à conclusão de que o grito não minimiza os problemas, agravando-os. E que os pais que são mais  carinhosos com os filhos conseguem minimizar problemas de comportamento, como a desobediência.

Combinação explosiva

Estudos anteriores sobre o mesmo assunto já tinham chegado a conclusões idênticas. O departamento de psiquiatria da prestigiada Harvard Medical School é unânime em considerar que o abuso verbal, os gritos, a humilhação ou a combinação dos três elementos alteram de forma permanente a estrutura cerebral da criança.

A conclusão surgiu após serem analisadas mais de 50 crianças com transtornos psiquiátricos, causados por problemas familiaresl. Comparando-as com quase 100 crianças saudáveis, surgiu uma descoberta alarmante: naquelas que estavam sujeitas a gritos havia uma redução severa do corpo caloso, ou seja, na parte que conecta os dois hemisférios cerebrais.

Assim, tendo as metades do cérebro menos integradas, as mudanças na personalidade e no humor são mais acentuadas, comprometendo a estabilidade emocional. Outra consequência desta conectividade diminuída é a dispersão da atenção.

Como acabar com os gritos?

Por mais irritados que estejamos, gritar não é solução. Aqui ficam algumas estratégias para lidar com as situações de conflito:

  • Antecipe os problemas. Se já sabe que vai enfrentar uma situação de possível tensão com os seus filhos, prepare-se previamente. Reúna argumentos e respostas facilmente entendíveis por eles, que sejam respeituosas para ambos.
  • Observe-se a si própria/o. Nem sempre é fácil, mas perceber se faz do grito a reação mais normal pode ser a chave para a mudança. Se detectar esse padrão de comportamento, poderá trabalhá-lo para o eliminar.
  • Acalme-se antes de agir. Respirar fundo, sair de cena avisando que o vai fazer, contar até 10… Antes de agir numa situação de conflito, tente fazer algo que a/o tranquilize. Assim, evitará perder o controlo. Depois tente retomar a conexão, estabelecendo o diálogo e procurando em conjunto uma solução para o problema.
  • Esqueça a culpa. Muitas vezes criamos expectativas demasiado altas a respeito dos nossos filhos. É importante não os culparmos por não serem aquilo que idealizámos. É fundamental deixá-los ser quem são, orientando-os para que se tornem em adultos felizes e bem integrados na sociedade.

Agora que já sabemos quais são os danos que os gritos frequentes podem causar no cérebro das crianças, está nas nossas mãos, como adultos responsáveis, aplicar soluções alternativas para educarmos pela positiva.

 

Fonte: psicologiasdobrasil.com.br

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