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Maioria dos pais sobrevalorizam problemas de saúde dos filhos

São sobretudo as mães quem está ao comando dos cuidados de saúde dos miúdos e, quando surge um problema, tendem a correr para as urgências, revela um inquérito recente da DECO, que abrange crianças até aos 6 anos.

Os pais portugueses tendem a seguir as recomendações médicas à risca e até pecam por excesso: em caso de problemas, a atitude mais frequente é correrem às urgências. Mas este cuidado tem um resultado positivoQuatro em cinco crianças mantêm um estado de saúde bom a excelente, e os restantes casos são sobretudo explicados por doenças crónicas, como problemas respiratórios ou cardíacos.

De acordo com os pais, 65% dos miúdos abrangidos pelo estudo são seguidos por um profissional do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e apenas um em três está abrangido por seguro de saúde. Estas e outras conclusões resultam de um inquérito para conhecer a experiência dos pais com os cuidados de saúde de crianças até aos 6 anos. A DECO contou com a contribuição de 1752 inquiridos, quase sempre as mães, que são também quem toma a maioria das decisões.

No ano anterior ao estudo, em regra, os pais tiveram 100 euros de despesas de saúde com os filhos, quando seguidos no setor público, e o dobro no privado. No caso de crianças com doenças crónicas, os valores mais frequentes foram de, respetivamente, 200 e 350 euros. Já em termos médios, pagaram 221 euros. Mas, até aos 3 anos, o volume de despesas é sempre superior, sobretudo se a criança sofrer de problemas crónicos, situação em que foi necessário desembolsar cerca de 300 euros. Dinheiro que, apesar das isenções do SNS ou da existência de seguros de saúde em alguns casos, saiu mesmo do bolso dos pais.

Preocupação excessiva é a regra

No capítulo das consultas, os pais são muito cumpridores: mais de 80% seguem o plano recomendado, com cerca de uma a três visitas ao médico por ano. Quanto mais tenra a idade, maior a frequência. Apenas 3% não levam os filhos a tantas “revisões”.

E, se seguem as recomendações à risca, reagem com preocupação excessiva aos “acidentes de percurso”. A DECO delineou dez cenários a contemplar problemas de saúde comuns nas crianças, mas de forma isolada, ou seja, não considerou as doenças crónicas. Também não incluiu crianças até 1 ano. Depois, perguntou aos pais como costumavam atacar os problemas: se resolviam em casa, se ligavam para o médico assistente ou para o SNS 24 (ex-Saúde 24) ou, terceira hipótese, se apareciam no consultório ou nas urgências. Finalmente, cruzaram as respostas com as boas práticas e obtivemos tendências.

Em quase metade dos cenários expostos, a solução dos pais é visitarem diretamente o médico ou a urgência, sobretudo em face de sonolência após uma queda. Se, neste caso, até devem fazê-lo, perante, por exemplo, uma situação de febre que dure até dois dias, mesmo que se eleve acima de 38ºC, a criança pode ser tratada em casa com antipiréticos, para baixar a temperatura e reduzir as dores. Mas os pais tendem a sobrevalorizar os problemas, e as situações que mais os preocupam são ainda as inflamações dos olhos com pus, os problemas respiratórios, os vómitos por mais de dois dias e as dores de ouvidos. Apenas 41% mostraram fazer uma avaliação correta. Já um em cada dez não dá a devida atenção a estas complicações.

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Para se manterem a par das boas práticas, metade dos inquiridos dizem pesquisar na internet, mas a maioria refere que a informação acaba por pouco influir nas decisões associadas à saúde dos filhos. No final, valem sobretudo as recomendações do médico. As prescrições são religiosamente seguidas até ao fim, dizem 98% dos participantes. Mais: apenas uma minoria administra aos filhos antibióticos não receitados pelo médico (2 por cento).

Ao nível da satisfação, os pais reconhecem competência tanto ao médico do privado como do público, mas, no último caso, penalizam os tempos de espera, em especial para marcar consultas, e a falta de disponibilidade fora do horário previsto.

Olhos e dentes vigiados

Cerca de sete em dez pais dizem nunca ter levado os filhos ao oftalmologista, em especial nos primeiros tempos de vida. À medida que a idade avança, as visitas aumentam. Mas quando se deve fazer um exame de visão pela primeira vez? O bebé é sujeito a testes logo após o nascimento. Depois, nas consultas de rotina, o médico vai acompanhando a evolução da criança, incluindo a visão, e está atento a sinais de alerta. A menos que surjam suspeitas de complicações, como catarataglaucoma ou doenças genéticas, situações em que, de acordo com o Plano Nacional de Saúde, devem ser feitos exames nos dois primeiros meses de vida, recomenda-se um rastreio até aos 2 anos e outro entre os 2 e os 5 anos.

Seis em dez pais revelam também nunca ter levado os filhos ao dentista, embora a frequência das visitas aumente igualmente com a idade. O médico que segue a criança nas consultas de rotinaavalia ainda a saúde oral e faz recomendações aos pais sobre medidas de higiene, a qual deve ser iniciada com o despontar do primeiro denteEscovagem suave ou limpeza com uma compressa ou dedeira são opções nos primeiros tempos. Em caso de problemas, o médico encaminha para um dentista.

Fonte: www.deco.proteste.pt

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