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Pai de serviço

“Super Nanny”: uma “psicóloga” que é tudo menos super

Ainda estou em choque com o que vi no domingo à noite. Há semanas que ouvia falar da estreia de “Super Nanny”, programa-reality-show da SIC em que uma “psicóloga” vai a casa de famílias com filhos “problemáticos” disposta a pôr “ordem na casa”. Desculpem tantas aspas, mas é preciso. Porque nem tudo o que parece, é.

Enquanto pai mas também formador de Disciplina Positiva, assisti ao formato internacional (adaptado para português) com redobrado interesse. Mas também com alguns receios. Que, infelizmente, vieram a confirmar-se.

Vi uma família desestruturada, a da Margarida (a menina que é a protagonista desta triste história), em que a mãe “não tem mão” na filha e a avó menos ainda, numa espécie de série trágico-cómica diária que não tem um final feliz à vista. A menos que alguém com responsabilidades intevenha.

Dicas positivas… mas poucas

Antes de ver o formato made in Portugal, resisti em fazer comentários sobre o programa nos vários grupos de educação de que faço parte no Facebook. Preferi dar o benefício da dúvida, talvez porque (ingénuamente, admito) ainda acredite no bom senso das pessoas. Mas o que vi foi mau de mais para ser verdade.

Comecemos pela “Super Nanny”. Super quê? Da pose demasiado estudada e autoritária (os braços cruzados quando olhava para a Margarida fizeram-me gelar o sangue) ao paternalismo bacoco demonstrado (procurando encontrar culpados antes e em vez de se focar em soluções construtivas), vi poucas coisas positivas. Mas elas também existiram, é certo.

O estimular da autonomia, o frisar da importância da comunicação não verbal, a referência ao facto de que a palmada deve sempre ser evitada, são pontos a favor. Muito poucos para quem se diz “psicóloga” e com tantos anos de “carreira”…

Educar… pela negativa

A postura e actuação “super nanny”(?!), que de super não tem nada, deixou muito a desejar. Qual encantadora de crianças, que é tudo menos… encantadora. E deixou-me sobretudo a vontade de fazer algo, para que mais crianças não voltem a ser expostas daquela forma. Como a Margarida foi.

O uso da tabela de comportamento sugeridas no programa: com prémios (recompensas quando faz a tarefa) e cruzes (quando não faz), deixou-me perplexo. Porque só criam dependência do estímulo, não responsabilidade. E uma “psicóloga a sério” deveria saber isso.

O “banquinho da calma”, imposto à criança para ir pensar quando se “portar mal” também me indignou. O que é pensar? E que carga negativa estamos a dar a um “pensar”, que deveria ser uma coisa maravilhosa?

Sangue para os “vampiros”

Finalmente, o que dizer da exposição pública daquela menina? Legalmente e como jurista de formação, não tenho dúvidas de que há matéria para as autoridades competentes actuarem. E que consequências poderá ter no curto e longo prazo esta aparição na TV, naqueles termos, para a criança? Imagino o CM e as revistas cor de rosa a esfregarem as mãos de contente. A esta hora, certamente, já foram bater à porta daquela casa, em Loures, como triste e inacreditavelmente foi identificado no programa da SIC.

Não vou ficar de braços cruzados. O primeiro passo é dar conta da minha indignação para as entidades competentes. Aqui vão os contactos, se quiser juntar-se a esta causa:

ENVIAR EMAIL COM EXPOSIÇÃO PARA:
ERC – Entidade Reguladora para a Comunicação Social – Formulário de reclamação ou info@erc.pt
PGR – Procuradoria Geral da República – gfcj@pgr.pt

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