Início » Mãe da criança que entrou em “Super Nanny” recebeu mil euros da SIC
super nanny
Foto: Divulgação
Família

Mãe da criança que entrou em “Super Nanny” recebeu mil euros da SIC

Mil Euros. Terá sido esse o valor que a mãe de Margarida, a primeira criança a participar no polémico programa da SIC “Super Nanny”, terá recebido para expor a filha de 7 anos no reality show.

Segundo o Correio da Manhã, a mãe compromeu-se a ficar disponível durante uma semana, para a realização das gravações em casa.

Estas condições são idênticas para todos os pais que participem no programa, em que uma psicóloga ensina a lidar com as birras e com o “mau” comportamento dos filhos.

Direitos das crianças em risco

Entretanto, a Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Protecção das Crianças e Jovens (CNPDPCJ) já se pronunciou sobre o programa, alertando para o “elevado risco” de “violar os direitos das crianças”. O caso abordado no primeiro episódio estará mesmo a ser analisado pela comissão da zona onde a família reside, Loures.

 A presidente da CNPDPCJ, Rosário Farmhouse, em declarações ao Observador, frisa que a mãe da menina já foi ouvida. “Expôs a criança a este perigo mas gostaríamos que outras crianças não fossem expostas ao mesmo”, acrescentou. “Já na semana passada fomos contactados por familiares da criança, que referiram que já estava a ter problemas na escola só por causa das promos”, antes de o programa ser exibido, revou ainda a responsável.

Também o Instituto de Apoio à Criança e a UNICEF Portugal já se manifestaram contra o formato, apelando à intervenção do Estado. Já a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) anunciou ter recebido várias queixas contra o reality show. À Ordem dos Psicólogos também chegaram queixas contra a “super nanny” que conduz o programa, a psicóloga Teresa Paula Marques.

SIC defende-se

Por outro lado, a SIC defendeu-se através de um comunicado, garantindo que cumpriu a lei, uma vez que garantiu as “necessárias autorizações” para filmar e divulgar a intimidade das crianças. Mas há especialistas jurídicos que consideram que “os pais não têm o domínio total sobre o direito à imagem e à privacidade dos filhos”. Ideia que é defendida pelo constitucionalista Reis Novais que, em declarações ao DN, salientando que “há limites que não se podem ultrapassar”, nem pelos próprios pais.

O constitucionalista dá o exemplo das Testemunhas de Jeová e nota que um pai “pode recusar uma transfusão de sangue para si, mas se o fizer para um filho o Estado é obrigado a intervir“. “Em termos puramente constitucionais, o Estado tem dever de protecção dos direitos de toda a gente e mais ainda daqueles que não se podem defender por si próprios, como é o caso das crianças”, conclui Reis Novais.

Ajuda “útil” para os pais

Há também quem considere que o que “a psicóloga está a transmitir aos pais é extremamente útil“. “É possível que tenhamos muitos pais e mães a identificarem-se com aquela situação”, destaca no Observador Isabel Abreu Lima. A docente na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto (FPCEUP) realça as “estratégias positivas apresentadas no programa”, nomeadamente “a imposição de regras, a criação de rotinas e a definição de limites”, cita o jornal online.

A docente refere ainda que o programa “mostra a lacuna que existe ao nível da formação de pais e da informação dada aos pais”. “Não tenho dúvidas que a maior parte dos pais precise de ajuda e que ninguém lhes esteja a dar essa mesma ajuda”, conclui.

Fonte: zap.aeiou.pt

DONATIVOS

SIGA-NOS!