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“A criança não é uma Bimby” – Por Pedro Fernandes

“A sua criança está muito infantil ainda.” Ouvi de uma Sra. no café. Referia-se à sua “adulta” filha de 6 anos. Quase desmaiei por ouvir esta coisa. Foi como entrar no poço da morte da antiga feira popular montado numa trotinete eléctrica sem bateria empurrada pelo Schwarzenegger. Ainda cheguei a ouvir a voz, meio destorcida, do Sr. do Poço da Morte. Mas o frio acabou por me trazer de volta à realidade. 
 
Este pensamento ainda é generalizado. Basta olhar para as nossas crianças. De segunda a sexta-feira têm uma vida frenética de actividades supostamente importantes para o seu crescimento saudável. Sou a favor de actividades. Sobretudo daquelas em que a criança se pode divertir. Mas todos os dias talvez seja demais. Até porque o que eles gostam mesmo é de brincar com os pais. Essa sim é uma actividade que pode ser repetida todos os dias.
 
A criança não é uma Bimby de actividades. Não dá para por tudo na vida da criança e no final sai um adulto cremoso, equilibrado nas suas emoções, na temperatura certa e aveludado na forma de amar e de se amar. Até porque a velocidade da criança não tem na sua escala Varoma. Mas com tanta actividade e exigência acredito que no futuro as emoções das crianças terão de optar pela “colher inversa”.
 
Tanta actividade com tanta gente faz desaparecer o tempo para a criança estar com ela mesma “apenas”.
 
Tanto fazemos para as crianças crescerem que depois de adultos eles precisam aprender a ser criança novamente. Algo está errado nesta forma de educar.

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